O Império Serrano trouxe à Marquês de Sapucaí um desfile carregado de significado e forte presença artística com o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, em homenagem à escritora Conceição Evaristo. A proposta da escola destacou a ancestralidade, a identidade feminina negra e a escrita como forma de resistência cultural, emocionando a comunidade imperiana e parte do público presente na avenida.
Visualmente, a apresentação surpreendeu por sua estética ousada e criativa, com elementos cenográficos e figurinos que fugiram do convencional e imprimiram um forte impacto em muitos setores do desfile. A comissão de frente, com cenas de grande simbolismo, e a leitura do enredo em várias alas demonstraram sensibilidade e coerência com o tema proposto.
Apesar desses pontos altos, o desempenho da escola não foi plenamente uniforme. O samba-enredo, embora cantado pela comunidade, não conseguiu tão facilmente envolver o público na Sapucaí, refletindo-se numa evolução um tanto arrastada ao longo do percurso. Alguns detalhes de acabamento nas fantasias e nas alegorias também ficaram aquém das expectativas, afetando o conjunto geral da apresentação.
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No balanço, o desfile do Império Serrano foi marcado por contrastes: um forte conceito artístico e visual que se misturou com desafios técnicos em quesitos essenciais como evolução e acabamento, apontando caminhos a serem aprimorados em futuras passagens pela avenida.