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Terça-feira, 21 de Abril 2026

Notícias Carnaval RJ

Unidos da Tijuca consagra parceria de Lico Monteiro como campeã do samba-enredo 2026.

Samba que homenageia Carolina Maria de Jesus marca a última escolha realizada na quadra dos Portuários e emociona a comunidade tijucana

Unidos da Tijuca consagra parceria de Lico Monteiro como campeã do samba-enredo 2026.
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A Unidos da Tijuca definiu, na madrugada deste domingo, o samba que será entoado no Carnaval 2026. A parceria campeã é formada por Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca, que assinam pela primeira vez o hino oficial da escola do Borel.

A obra embalará o enredo “Carolina Maria de Jesus”, uma homenagem à escritora mineira, autora do clássico “Quarto de Despejo – O Diário de uma favelada”. Considerada uma das vozes mais potentes e revolucionárias da literatura brasileira, Carolina terá sua trajetória retratada pela agremiação, que encerrará a segunda-feira de desfiles no Sambódromo.

A noite foi marcada por emoção e simbolismo. Em uma decisão histórica, a Tijuca realizou sua última escolha de samba na quadra do Clube dos Portuários, espaço que foi casa da escola por mais de 30 anos. O momento representou não apenas a consagração de um hino, mas também a celebração de uma nova fase para a agremiação.

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O samba vencedor vai além de narrar a vida da escritora: traduz em poesia a luta contra a fome, a fé como resistência e a força das mulheres que transformam dor em esperança. Em cada verso, ressoam as vielas, os barracos e as vozes que se recusam a ser silenciadas.

Com essa escolha, a Unidos da Tijuca reafirma sua vocação de se reinventar e de escrever novos capítulos em sua história. Unidos, os segmentos da escola já se preparam para levar Carolina Maria de Jesus para a avenida com a força de um canto que nasce da resistência e se transforma em esperança.

No Borel e além dele, ficou marcado: hoje, Carolina é Tijuca. Hoje, a Tijuca é Carolina.

COMPOSITORES: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca.

 

Eu sou filha de uma dor

Que nasceu no interior de uma saudade

Neta de vô preto velho

Que me ensinou os mistérios

Bitita, cor que sonhou liberdade

Me chamo Carolina de Jesus

Dele herdei também a cruz

Olhem em mim, eu tenho as marcas

Me impuseram sobreviver

Por ser livre nas palavras

Condenaram meu saber

Fui a caneta que não reproduziu

A sina da mulher preta no Brasil

 

Os olhos da fome eram os meus

Justiça dos homens não é maior que a de Deus!

Meu quarto foi despejo de agonia

A palavra é arma contra a tirania!

 

Sonhei sobre as páginas da vida

Ilusões tolhidas por um sistema algoz

Que tenta apagar nossa grandeza

Calar a realeza que ainda vive em nós

Meu barraco é de madeira

Barracões são do Borel

Onde nascem Carolinas

Não seremos mais os réus

Por tantas Marias

Que viram seus filhos crucificados

Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado...

Meu país nasceu com nome de mulher

Sou a liberdade... Mãe do Canindé!

 

Muda essa história, Tijuca

Tira do meu verso a força pra vencer!

Reconhece o seu lugar... e luta

Esse é o nosso jeito de escrever!

 


 

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