A Estação Primeira de Mangueira já tem o samba que vai ecoar na Sapucaí em 2026. Na madrugada deste domingo, a escola consagrou como vencedora a obra da parceria formada por Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal.
O samba vai embalar o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta mergulha na ancestralidade afro-indígena do Amapá, exaltando a força da floresta, a sabedoria popular e o legado de um dos maiores curandeiros da região.
A final de samba contou com apresentações empolgantes das parcerias concorrentes, em uma noite de muita emoção e quadra lotada. A comunidade verde e rosa celebrou intensamente cada momento, reforçando o vínculo da escola com suas raízes culturais e sociais.
Sidnei França destacou que a obra escolhida representa com grandeza o enredo e sintetiza a missão da Mangueira de valorizar e dar visibilidade a histórias e personagens que representam o povo brasileiro.
No próximo Carnaval, a verde e rosa será a última a desfilar no domingo, dia 15 de fevereiro, prometendo encerrar a noite com um espetáculo que une poesia, ancestralidade e a força da cultura amazônica.
No extremo norte onde começa o meu país
As folhas secas me guiaram ao turé
Pintada em verde-e-rosa, jenipapo e urucum
Árvore-mulher, mangueira quase centenária
Uma nação incorporada
Herdeira quilombola, descendente palikur
Regateando o amazonas no transe do caxixi
Corre água, jorra a vida do oiapoque ao jari
Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata
Preto velho, saravá
Macera folha, casca e erva
Engarrafa a cura, vem alumiar
Defuma folha, casca e erva... Saravá
Negro na marcação do marabaixo
Firma o corpo no compasso
Com ladrões e ladainhas que ecoam dos porões
Ergo e consagro o meu manto
Às bençãos do espírito santo e são josé de macapá
Sou gira, batuque e dançadeira (areia)
A mão de couro do amassador (areia)
Encantaria de benzedeira que a amazônia negra eternizou
No barro, fruto e madeira, história viva de pé
Quilombo, favela e aldeia na fé
De yá, benedita de oliveira, mãe do morro de mangueira
Ouça o canto do uirapuru
Yá, benedita de oliveira, benze o morro de mangueira
E abençoe o jeito tucuju
A magia do meu tambor te encantou no jequitibá
Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá
Na estação primeira do amapá