A LIGA RJ tornou público seu posicionamento contrário às diretrizes adotadas para a organização e o credenciamento do Carnaval 2026 no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A entidade, que reúne as escolas de samba da Série Ouro, aponta que o modelo em vigor tem criado barreiras para quem historicamente constrói o Carnaval, ao mesmo tempo em que favorece a ocupação do espaço por pessoas sem ligação com as agremiações.
Segundo a liga, sambistas, dirigentes, trabalhadores da festa e profissionais da comunicação especializada vêm enfrentando dificuldades para acessar o Sambódromo, mesmo se tratando de um equipamento público. A crítica se estende ao que a entidade classifica como um processo de afastamento das comunidades e do público tradicional do samba, impulsionado por práticas que elevam custos e restringem a participação popular.
Em seu comunicado, a LIGA RJ ressalta que as escolas da Série Ouro mantêm o compromisso de preservar o Carnaval como uma celebração acessível, com preços compatíveis com a realidade do público. No entanto, afirma que o atual formato de gestão tem contribuído para transformar a festa em um evento cada vez mais seletivo, distanciando o verdadeiro sambista do espaço que ele próprio ajuda a construir.
A entidade também questiona decisões administrativas consideradas pouco transparentes. Um dos exemplos citados é o caso do GRES Unidos do Porto da Pedra, que teve negado um pedido formal para a aquisição de um camarote no Sambódromo, sem que houvesse, segundo a liga, qualquer explicação técnica ou administrativa para a recusa.
Outro ponto levantado é a necessidade de reavaliar o contrato de concessão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Para a LIGA RJ, o modelo atual tem gerado desequilíbrios e tratamento desigual entre as escolas, prejudicando especialmente aquelas que desfilam na Série Ouro.
O posicionamento foi aprovado durante uma plenária realizada em 21 de janeiro, com a presença de presidentes e representantes das agremiações filiadas. Ao encerrar a nota, a LIGA RJ reafirma seu apoio institucional à Riotur e manifesta confiança de que o órgão poderá rever práticas adotadas, promovendo correções que garantam um Carnaval mais justo, democrático e alinhado com sua origem popular.