A Unidos do Viradouro já tem samba-enredo para o Carnaval 2027. A parceria de Mocotó & Cia venceu a disputa realizada na quadra da escola, no Barreto, em Niterói, e terá a responsabilidade de embalar o desfile que marcará a busca da agremiação pelo bicampeonato consecutivo do Grupo Especial.
O resultado foi anunciado por volta das 5h30 deste domingo (20), após uma final que reuniu três obras. O samba vencedor é assinado por Mocotó, Paulo César Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Marcio André Filho.
A composição será o hino oficial da Viradouro para o enredo “Griô”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo. A proposta leva para a Marquês de Sapucaí a tradição dos griôs, conhecidos como guardiões da memória e contadores de histórias de sociedades da África Ocidental.
O enredo parte da oralidade como instrumento de preservação de conhecimentos, histórias e saberes transmitidos entre gerações. A narrativa também estabelece conexões entre essa tradição africana, manifestações da cultura popular brasileira e a própria formação das escolas de samba.
A escolha do samba encerra a disputa promovida pela Viradouro para definir a composição que acompanhará a escola durante a preparação para o Carnaval. Três parcerias chegaram à final, e a obra de Mocotó e seus parceiros foi anunciada como vencedora na madrugada.
Para a escola, a escolha acontece em um momento importante da preparação para 2027. Campeã do Carnaval de 2026, a Viradouro voltará à Sapucaí com a expectativa de defender o título conquistado no último desfile.
A agremiação será a segunda escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, em 9 de fevereiro de 2027.
A força dos griôs
O enredo “Griô” coloca a memória oral no centro da narrativa da Viradouro. Nas sociedades da África Ocidental, os griôs desempenham tradicionalmente o papel de transmissores de histórias, conhecimentos, genealogias e tradições.
A proposta desenvolvida por Tarcísio Zanon e João Gustavo Melo parte dessa relação entre palavra, memória e ancestralidade para construir o desfile da escola.
A narrativa também aborda a importância da preservação desses saberes diante do apagamento de memórias e tradições. A conexão com o Carnaval aparece na própria ideia de transmissão cultural, já que as escolas de samba também utilizam a música, a dança, a oralidade e a memória coletiva para contar histórias na Avenida.
O samba escolhido pela Viradouro será, portanto, uma das principais ferramentas para transformar essa proposta em canto durante o desfile.
A composição vencedora apresenta referências ligadas à ancestralidade africana, à oralidade e à cultura popular, reforçando musicalmente os elementos centrais do enredo.
Mocotó volta a vencer na Viradouro
A escolha também marca o retorno de Mocotó ao grupo de compositores vencedores da Viradouro. O compositor já havia conquistado sete disputas consecutivas na escola entre 1996 e 2002. Com a vitória para 2027, chegou ao oitavo samba campeão na agremiação.
Desta vez, Mocotó divide a assinatura da obra com Paulo César Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Marcio André Filho.
A composição agora passa a fazer parte oficialmente da preparação da Viradouro para o próximo Carnaval. A partir da definição, o samba será levado aos ensaios e passará a acompanhar a comunidade ao longo da temporada.
Viradouro busca o bicampeonato
A escolha do samba acontece depois de um Carnaval histórico para a escola de Niterói. Em 2026, a Viradouro conquistou o título do Grupo Especial e agora se prepara para retornar à Avenida em busca de mais um campeonato.
O próximo desfile terá como eixo a história dos griôs e a importância da transmissão de conhecimentos entre gerações. A escola pretende levar essa narrativa para a Sapucaí por meio do enredo, do samba e dos elementos visuais preparados pela equipe de Carnaval.
Com a definição da composição, a Viradouro fecha mais uma etapa da preparação para 2027.
O samba de Mocotó & Cia será responsável por conduzir o canto da comunidade durante o desfile e por transformar em música a narrativa construída para “Griô”.
A obra escolhida também passa a ser parte da identidade do próximo Carnaval da escola. Ao longo dos meses que antecedem o desfile, a composição deverá ganhar espaço nos ensaios, eventos e atividades da agremiação.
A Viradouro será a segunda escola a desfilar na terça-feira, 9 de fevereiro de 2027, levando para a Marquês de Sapucaí o enredo “Griô” e o samba vencedor da parceria de Mocotó.
A frase que encerra o samba vencedor sintetiza a proposta que a escola levará para a Avenida: “A Viradouro é sangue de griô”.
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